CAPÍTULO 16

Duas senhoras e um rapaz entraram na biblioteca, com caixas e maletas. A primeira coisa que fizeram foi pedir a Sofia que fosse ao banheiro anexo para tomar um banho, com um perfumadíssimo e fino sabonete. Em seguida, sentaram Sofia em uma cadeira e atiraram-se em cima dela.
Mexiam em seus cabelos, em suas faces, em suas mãos e pés. Enquanto trabalhavam, faziam diversos comentários entre si, elogiando uns aos outros pelos resultados do que faziam.
Sem um espelho à frente para se ver, Sofia estava angustiada, sem saber o que estavam fazendo. Com o canto do olho via Vovô em sua cadeira, lendo, olhando-a de vez em quando por sobre os óculos e sorrindo de forma aprovadora.
Quando terminaram o trabalho, abriram uma grande caixa de onde saiu um vestido negro lindo, como Sofia jamais vira. Tinha a estranha capacidade de ser simples e ao mesmo tempo luxuoso. De uma caixa menor, tiraram um sapato preto que parecia cintilar como um vaso negro de cristal de Murano, que sua tutora tinha na sala.
Ajudaram Sofia a vestir-se e calçar-se, deram-lhe os últimos retoques na maquiagem e nos cabelos e pararam à sua frente, lado a lado, balançando afirmativamente as cabeças, unânimes na aprovação de seus trabalhos.
— Uma verdadeira obra de arte! — disse o rapaz, com um leve sotaque. Très chic et très belle!
Vovô aproximou-se sorrindo e com lágrimas nos olhos. Segurou Sofia pelos ombros, olhando-a orgulhosamente de alto a baixo.
— Linda, minha querida! A minha gata borralheira transformou-se em Cinderela!
Trouxeram um espelho do banheiro e o colocaram diante de Sofia. Num primeiro momento, ela não reconheceu a si mesma, pensando tratar-se de um retrato. Mas como este repetisse os mesmos gestos que ela fazia, sua razão fez-lhe ver que aquela jovem linda à sua frente era ela mesma, quase irreconhecível, mas ela mesma, Sofia.
— Só mais um instante e estaremos prontos! — disse Vovô.
Ele foi até uma cadeira, pegou a parte de cima de seu traje de gala, vestiu-o e aproximou-se de Sofia, oferecendo-lhe o braço.
— Vamos?! — disse-lhe o velho.
Uma das senhoras que trataram da transformação de Sofia abriu-lhes a porta da biblioteca e ambos caminharam em direção à festa.